"Aquilo que não nos destrói, fortalece-nos"
Friedrich Nietzsche

3.7.12

Porque não posso ficar indiferente

A mãe da Bia não me pediu nada nem eu queria pedir nada quando decidi contar a história da menina. Queria, tão só, partilhar convosco como por vezes nos centramos nos nossos problemas e no nosso umbiguismo e não nos damos ao trabalho de olhar para o lado e ver como há pessoas que nos dão lições de vida, sem se queixarem e sem auto-comiseração. Como podemos marcar a diferença se pensarmos macro e nos virmos como um todo, uma corrente de seres humanos interligados e que se podem ajudar com coisas simples. E queria, finalmente, explicar porque vou optar pelo Banco Público quando a minha filha nascer ao invés de pagar a um banco privado. 
No entanto, recebi uma chuva de comentários e e-mails que me surpreendeu. Eu sei que o meu blog é moderadamente lido mas, porra, eu devo ser a blogger com mais sorte no tipo de clientela que frequenta aqui o estaminé. Vocês são todos fabulosos e generosos e eu não sei o que fiz para vos merecer. Mesmo. 
Então, explicar à mãe da Bia que tinha amigas que a gostavam de ajudar foi complicado. É estranho explicar a alguém que "sabes, tenho um blog e as pessoas não me conhecem mas falei da tua história e querem ajudar-te!" soa meio weird. Mas a mãe da Bia não complicou e, comovida mas com a dignidade que lhe reconheci desde o primeiro dia, não nega a ajuda que lhe quiserem dar e que será, com toda a certeza, oportuna nesta altura. 
Portanto, tenho o NIB do pai da menina que aqui disponibilizo, com a devida autorização: 0010 0000 2623 6280 0018 3 para todas as pessoas que me pediram o mesmo, para poderem dar uma contribuição monetária. 
Tenho também a morada que posso disponibilizar a quem pretender enviar géneros. Mas, em todo o caso, talvez o melhor seja enviarem tudo para a minha morada que junto tudo num mega cabaz, fotografo, e entrego em mão à família. Que a partir de agora está, oficialmente, quadripolarizada!
Em breve mámen irá pintar a HK no quarto da menina, conforme foi seu pedido. 
A mãe teve alta e está a descansar em casa agora, à espera que o novo bebé ganhe mais peso e lhe possa ser agendada a cesariana. Vai-se chamar Guilherme. 
A Bia continua em tratamentos, uma semana por mês faz quimioterapia no IPO de Lisboa. Mas deviam conhecê-la e perceber a energia que ela tem. Uma lição de vida.
Ser dador de medula óssea é simples: basta dirigir-se a qualquer Centro de Histocompatibilidade do Sul, do Centro e do Norte e o processo é muito semelhante ao de uma simples doação de sangue. Mais informações aqui. Se eu conseguir que uma pessoa que seja ganhe coragem e se dirija a um destes sítios para se tornar dador, então, estes quase 3 anos de blog valeram a pena.
E agora percebo a história de "estar de esperanças". Acho é que não se aplica só ao estado da gravidez. Porque, aprendi convosco uma coisa: quando a causa é maior estamos todos de esperanças. 
Um bem-haja a todos. 
Pólo Norte <3 you all! 

2 comentários:

Roxanne disse...

é um texto arrepiante!

Patricia disse...

Uma história que nos faz pensar.