Até podia passar a ser uma rubrica, mas não vai passar, não gosto das coisas por obrigação.
Este post é inteirinho para as pessoas que circulam no IPO, quer sejam doentes, acompanhantes, “visitas”, voluntários, enfermeiros, médicos, auxiliares, bombeiros, porteiros, seguranças, ou seja todos os que de alguma forma andam por lá, podia abrir excepções, mas prefiro pensar que todos temos dias maus e que foi o caso.
A semana passada entrei pela primeira vez num IPO, IPO Francisco Gentil, no Porto, e não consegui ficar alheia. Já tive contacto com pessoas com a doença, mas nunca tinha lá entrado. Em cada corredor havia marcas físicas, havia olhares tristes, vi conformação, não vi revolta a não ser a minha, vi olhares carinhosos, vi colo, conforto. Apesar de tudo vi serenidade, tranquilidade, paz, silêncio [não sendo bom, também é bom].
Já vi muitas pessoas renascer, outras infelizmente não, a vida prega-nos partidas para as quais nunca estamos preparados, vamos sobrevivendo, tornando-nos mais fortes, mais duros, mais insensíveis talvez.
Sinto um nó apertado ao escrever este texto, mas desejo muita coragem para todos os que tem de fazer daquela instituição uma casa, um local para trabalhar, um lugar com visitas regulares, um abraço, ainda que virtual é muito sentido.